A Justiça de Araranguá deferiu medidas protetivas de urgência em favor de uma criança de 10 anos, após representação da Polícia Civil. A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso de Araranguá.
Entre as medidas determinadas estão o afastamento do investigado da residência e a proibição de qualquer tipo de contato com a criança. O homem é investigado por suspeita de violência sexual contra a vítima.
De acordo com a Polícia Civil, o caso chegou ao conhecimento da DPCAMI após a realização de uma escuta especializada no ambiente escolar. Durante o atendimento, realizado em um contexto de acolhimento, a criança relatou fatos compatíveis com violência sexual e apresentou desenhos que, segundo a investigação, corroboram os relatos.
A partir das informações obtidas, a equipe da DPCAMI iniciou diligências imediatas e colheu depoimentos preliminares que apontaram a necessidade da adoção urgente de medidas protetivas. Durante a apuração inicial, os policiais verificaram ainda que a criança costumava dormir, há vários anos, na mesma cama do familiar investigado, identificado como o avô da vítima, circunstância que reforçou a necessidade de intervenção para garantir sua proteção.
As investigações seguem sob sigilo, com a realização de novas diligências para o completo esclarecimento dos fatos, preservando a identidade da vítima e respeitando o devido processo legal.
Casos aumentam em Araranguá
A Polícia Civil destaca que investigações desse tipo ocorrem com frequência, embora nem sempre sejam divulgadas. Dados da instituição mostram que Araranguá registrou 10 casos de estupro de vulnerável durante todo o ano de 2025. Em 2026, até o momento, já são 12 ocorrências registradas.
Segundo o levantamento, 52% das vítimas têm menos de 12 anos de idade e 92% dos casos ocorreram dentro do ambiente residencial, evidenciando que a maior parte das violências acontece no convívio familiar ou é praticada por pessoas próximas da vítima.
Polícia reforça importância da denúncia
A Polícia Civil reforça que a denúncia é uma das principais ferramentas para interromper ciclos de violência contra crianças e adolescentes. Mudanças repentinas de comportamento, medo excessivo de determinada pessoa, alterações no sono, regressão de comportamentos, isolamento, sexualização precoce e relatos espontâneos devem ser tratados com atenção por familiares, educadores e toda a rede de proteção.
A orientação é que pais e responsáveis acolham a fala da criança, não desacreditem seus relatos e procurem imediatamente a Polícia Civil, o Conselho Tutelar ou utilizem os canais oficiais de denúncia diante de qualquer suspeita de violência.
Por envolver uma criança, a identidade da vítima e demais elementos que possam permitir sua identificação são preservados, conforme determina a legislação brasileira.


