Alimentação na Infância: os hábitos dos seus filhos também dependem de você

Neste mês é comemorado o dia das crianças, então trouxe aqui uma temática importante que é a formação de hábitos na infância. Quando pensamos em alimentação infantil, é comum que as atenções se voltem às preferências e principalmente às recusas das crianças, geralmente relacionadas ao consumo de frutas e saladas. E o que muitas famílias não percebem é que, na maior parte das vezes, os hábitos alimentares das crianças são reflexo direto do ambiente familiar e das escolhas dos próprios pais.

Quando crianças, especialmente nos primeiros anos de vida, aprendemos muito através da observação. Aprendemos a falar, a nos comportar e a nos alimentar observando as pessoas ao nosso redor, principalmente as pessoas que convivem conosco, em sua maioria adultos. Se os pais ou responsáveis comem com prazer alimentos variados, frutas, legumes e grãos, é muito mais provável que a criança também os aceite com naturalidade.

Além disso, devemos sempre lembrar que quem faz as compras, quem prepara as refeições e quem decide o que vai à mesa é o adulto. Ou seja, por mais que pareça que a criança “manda” na escolha dos alimentos, são os pais que determinam o que entra ou não na rotina alimentar da casa.

Algo comum e que pode ser ruim a longo prazo é tentar agradar demais a criança, oferecendo apenas aquilo que ela aceita facilmente. Esse comportamento pode limitar o paladar infantil e favorecer o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, sal e gorduras, tipos de alimentos que são desenvolvidos justamente para serem irresistíveis, inclusive (ou especialmente) para os pequenos.

A boa notícia é que a infância é um momento de enorme plasticidade. Ou seja, é possível construir hábitos saudáveis com consistência, paciência e exemplo. A exposição repetida aos alimentos, sem pressão, acompanhada de um ambiente positivo à mesa, costuma gerar bons resultados ao longo do tempo.

É importante também entender que pressão ou obrigatoriedade sobre a criança para que ela consuma determinado alimento não é nem um pouco saudável, diferente da oferta mais de uma vez, para que a criança experimente e descubra se gosta ou não daquele alimento, comer algo por obrigação, pode desencadear traumas e recusa. Lembre-se, nem você gosta de TODOS os alimentos, e está tudo bem.

Aqui vão algumas dicas práticas para os pais:
– Seja exemplo: não adianta pedir que a criança coma brócolis se você mesmo rejeita os vegetais.
– Torne o momento da refeição agradável e sem distrações como televisão ou celulares.
– Evite usar comida como recompensa ou punição.
– Incentive a participação da criança na cozinha, desde o preparo até a escolha dos alimentos.
– Respeite o apetite da criança, mas mantenha uma rotina com horários definidos para as refeições.

Lembre-se: os pais são quem definem o ambiente alimentar dentro de casa. São suas escolhas, atitudes e posturas que vão moldar a relação da criança com a comida, e isso tem impacto não só no presente, mas também na saúde ao longo de toda a vida.

AMANDA DE VARGAS DE OLIVEIRA
Nutricionista especialista em saúde mental | CRN10 9720

https://www.instagram.com/amandavargasnutri