SORTE, DESASTRE OU IMPRUDÊNCIA?
Embora o tema “seja presente” e possui uma visão muito abrangente sobre riscos relacionados à SORTE, DESASTRE E IMPRUDÊNCIA no turismo de aventura no Brasil e no mundo, ele ainda peca em generalizar e citar exemplos de legislações e normas sem detalhar a aplicação prática de cada uma delas em situações específicas, como o balonismo, trekking ou o pêndulo nos cânions, entre outras atividades. Apontar responsabilidades ou aprofundar o papel das prefeituras e órgãos ambientais locais, que muitas vezes possuem legislações próprias e decretos municipais de regulamentação que interferem diretamente na operação das atividades, é muito arriscado. A ausência de dados estatísticos mais recentes sobre acidentes nesta linha de atividades de atendimento ao turista e visitante, também limita o caráter técnico de um diagnóstico um pouco mais preciso.
Há, ainda, a necessidade de levantar mais estudos de caso locais, envolvendo municípios específicos que atuam com atividades de risco médio e alta periculosidade, como Praia Grande/SC, Cambará do Sul/RS, Urubici/SC, entre tantos outros no Brasil e no mundo, onde os conflitos entre operadores legais e clandestinos são frequentes.
Aspectos de formação profissional dos guias e a carência de fiscalização pública nas áreas de grande fluxo turístico estão cada vez mais latentes. Falta números concretos sobre o índice de operadores não cadastrados no CADASTUR e/ou o volume de turistas que realizam atividades sem seguro, o que ajudaria a reforçar o alerta sobre a gravidade das imprudências e irregularidades notadas desde sempre.
Relatando um pouco sobre riscos relacionados à SORTE, DESASTRE E IMPRUDÊNCIA no turismo, segue abaixo alguns detalhes sobre cada um:
>> Sorte: O fator invisível e incontrolável
No turismo de aventura, a “sorte” é muitas vezes romantizada como um componente da experiência. Muitos turistas, principalmente os iniciantes ou mal informados, confiam na sorte como substituto de planejamento, segurança e orientação profissional. No Sul do Brasil, cidades como Bento Gonçalves/RS, Praia Grande/SC e Torres/RS, onde atividades de aventura são frequentes, já registraram ocorrências onde apenas a sorte evitou tragédias maiores.
Exemplo Prático: Turistas que fazem trilhas nos cânions sem guia, sem equipamento de proteção, ou que embarcam em voos de balão com condições meteorológicas questionáveis, muitas vezes escapam de acidentes por pura sorte.
Legislação que Ignora a Sorte: Nenhuma norma de segurança se baseia na sorte. A ABNT NBR ISO 21101 (Sistema de Gestão de Segurança em Turismo de Aventura) deixa claro: a gestão de riscos é obrigatória, e as empresas devem trabalhar com base em análise de perigos reais.
Fonte de Consulta: (Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) https://www.abntcatalogo.com.br/); (Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura / https://www.abeta.com.br/); (Programa Aventura Segura – SEBRAE e ABETA / https://www.abeta.com.br/aventurasegura/).
>> Desastre: Quando o acaso vira tragédia
Quando a sorte falha, o resultado pode ser um desastre. No Sul do Brasil, já houve acidentes fatais em pêndulos nos cânions, quedas de parapente, e incidentes em expedições de trekking mal planejadas. Algumas das causas mais comuns de desastre em turismo de aventura são: mudanças climáticas repentinas; falha de equipamentos como cordas, balões, parapentes, outros; a ausência de monitoramento meteorológico; e operadores clandestinos sem registro no CADASTUR ou certificação específica.
Exemplo: Acidente com voo de balão pelo mundo resultando em mortos/feridos graves por conta de ventos inesperados, negligência e/ou falta de comunicação com órgãos de controle aéreo.
Legislação aplicada: Decreto Federal nº 7387/2010: Regulamenta a obrigatoriedade de cadastro de prestadores de serviços turísticos de aventura. Normas ABNT Série 15331: Define os requisitos de segurança para atividades como balonismo, voo livre e atividades verticais. Seguro de Responsabilidade Civil e o Seguro de Acidentes Pessoais, exigido por algumas prefeituras turísticas, principalmente onde existe regulamentação municipal para aventura.
Fonte de consulta: (Decreto Federal nº 7.387/2010 / https://www.gov.br/turismo/pt-br/cadastur); (Norma ABNT NBR 15331:2005 / https://www.abntcatalogo.com.br/).
>> Imprudência: O elo entre o desastre e o comportamento humano
A imprudência é o principal fator de risco evitável. Ela se manifesta tanto no lado do turista quanto nos operadores.
Exemplos por parte dos turistas: Ignorar recomendações meteorológicas; recusar o uso de equipamentos de segurança; subestimar a dificuldade física das trilhas ou saltos; contratar operadores ilegais por serem mais baratos
Exemplos por parte dos operadores: Operar sem guias certificados; não exigir assinatura de Termo de Responsabilidade; não manter equipamentos com manutenção em dia; não fazer o briefing de segurança; não ofertar ou realizar o seguro de aventura.
Legislação de Responsabilização: Em casos de acidente por imprudência, podem ser acionadas a Lei do Consumidor (CDC – Lei nº 8.078/1990), o Código Civil (Responsabilidade Civil por Dano Material e Moral) que em caso de morte, a Responsabilidade Penal pode ser imputada por omissão de socorro ou homicídio culposo.
Fonte de consulta: (Código de Defesa do Consumidor – Lei nº 8.078/1990 / https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm); Código Civil Brasileiro – Responsabilidade Civil – Artigos 927 e 186 / https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm); ABETA – Materiais sobre Gestão de Riscos e Boas Práticas para Operadores / https://www.abeta.com.br/).
Uma conclusão crítica sobre o assunto:
Enquanto muitos, inúmeros turistas ainda apostam na sorte e ignoram os riscos, a realidade é que a combinação de imprudência com falta de regulamentação cria um campo vasto para desastres. Alguns setores e cidades turísticas do Sul do Brasil estão, aos poucos, buscando a formalidade e regulamentação. Outras ainda estão avançando na implantação de políticas públicas, fiscalização e programas de segurança para turismo de aventura.
E sobre a SORTE, DESASTRE E IMPRUDÊNCIA no turismo de aventura, há indícios de um avanço considerável na criação de normas técnicas e legislações voltadas à segurança, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Em Santa Catarina, por exemplo, existe cidades que vem buscando nos últimos anos uma profissionalização maior dos operadores e profissionais da área, com ações de capacitação, exigência de cadastro no CADASTUR e inclusão de seguros obrigatórios. O aumento de turistas e a popularização das atividades extremas estão pressionando o setor a acelerar o processo de regulamentação – é urgente.
Mas, o cenário atual vem preocupando o setor. Em várias regiões do Brasil cresce o número de operadores e profissionais clandestinos, atividades sem controle técnico e turistas desinformados que expõem suas vidas a riscos evitáveis.
O desafio hoje – e sempre – é transformar normas atuais que são muitas vezes apenas teóricas em ações práticas e obrigatórias. Com isso o turismo de aventura cresce com responsabilidade, sustentabilidade e, acima de tudo, segurança real para todos os envolvidos.
O futuro da segurança em turismo de aventura depende da sua consciência, da consciência dos atuais e próximos profissionais e, principalmente, do cumprimento rigoroso da legislação.
É uma questão latente — e, sobretudo e muitas vezes, fatal.
Até a próxima matéria !!
Luiz Fernando Soares
Técnico e Gestor de Turismo – Cadastur 24.016176.96-2
https://www.instagram.com/fernando.tectur
[email protected]
https://www.tec.tur.br

Coluna Caminhos do Mar e das Alturas
O nome desta coluna evoca a conexão do homem com as atividades entre a grandiosidade dos cânions regionais e a serenidade das praias, criando uma identidade única para a coluna. Reforça o simbolismo da jornada e da conexão entre os elementos da região, com conteúdo envolvendo os segmentos que atendem e direcionam o turismo regional.
Como diretor da TecTur Turismo, sou guia de turismo credenciado nos Parques Nacional de Aparados da Serra e Serra Geral, especificamente na 9ª Região Turística Caminho dos Canyons do Sul – Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Sou apaixonado pela fotografia de natureza e das aventuras em que participo, além da consultor e orientador no segmento do turismo rural. Também realizo trabalhos como coordenador e difusor de estratégias e análises no segmento de pesquisa político/administrativo. Gaúcho de Porto Alegre, há mais de 20 anos resido com minha família em Santa Catarina, atualmente no centro de uma região com turismo 12 meses por ano: Sombrio.


