TURISMO DE VERDADE NAS ESCOLAS MUNICIPAIS EXISTE?
– Será que os municípios da região da Amesc estão, de fato, preparados para sustentar um projeto de Turismo nas Escolas a longo prazo?
– Será que deixá-lo se perder como tantos outros que começam bem e morrem no primeiro ciclo político é e será um fato “para sempre”?
– Estão, os administradores públicos, dispostos a investir em formação de professores, transporte dos alunos e integração entre secretarias olhando para o turismo?
– Vamos mais uma vez tratar educação e turismo como áreas isoladas, que não se falam, enquanto perdemos a oportunidade de construir algo realmente duradouro para a juventude e para o desenvolvimento local?

Um olhar de estudante, de um jovem sobre o turismo do local onde vive, traz possibilidades de uma visão de futuro, de criticar o que hoje existe. Implementar nas escolas municipais com alunos do ensino fundamental II, um programa permanente de educação para o turismo pode trazer respostas aos questionamentos existentes.

A proposta da observação estudantil, de uma análise crítica e vivenciada diretamente por estudantes no seu território e de uma educação orientada e segmentada pode alterar a visão de futuro. Um projeto que busque formar cidadãos mais conscientes e participativos, além de gerar insumos relevantes para a gestão do turismo municipal, pode – entre outros benefícios – promover o protagonismo juvenil na análise e valorização do turismo local.

Não podemos esquecer de que um projeto fundamentado e verdadeiramente existencial e duradouro, pode integrar práticas educacionais com políticas públicas de turismo e cultura.

SUGESTÃO:
Implantar um Programa Suplementar de Observação e Análise do Turismo Local, com foco em adolescentes do ensino fundamental II nas escolas municipais, proporcional aos estudantes se tornarem observadores do turismo em seu próprio município. O projeto pode ser realizado em parceria com a Secretaria de Turismo, empresas e guias e técnicos de turismo, promovendo a interdisciplinaridade com as disciplinas de Geografia, História, Português, Artes e Ciências. Podem ser realizadas atividades como:
– Mapeamento participativo de pontos turísticos, culturais, históricos e naturais;
– Entrevistas com visitantes, empreendedores locais e moradores;
– Análise crítica da infraestrutura turística existente ou não, como sinalização, acessibilidade, limpeza e hospitalidade;
– Diários de campo e produção de relatórios com sugestões de melhorias;
– Apresentações para a comunidade escolar e municipal, conectando educação, turismo e cidadania.

LIMITAÇÕES PRÁTICAS
Embora a proposta tenha forte potencial educativo e estimule o protagonismo juvenil, pode esbarrar em algumas limitações práticas, como a falta de formação específica dos professores para conduzir atividades de campo voltadas ao turismo, a escassez de recursos financeiros para transporte ou material didático, e a dificuldade de engajar todos os alunos — especialmente os que não veem o turismo como um tema atrativo.

Além disso, há o risco de que a proposta vire apenas mais uma atividade pontual, sem continuidade ou impacto real na gestão do turismo local. O uso político também pode interferir na eficiência do projeto.

PENSANDO POSITIVO
Você já pensou no poder transformador que um adolescente pode ter quando se torna observador ativo do seu território?

Será que não está na hora de reconhecermos que a escola pode — e deve — ir além da sala de aula, conectando-se com o turismo local como forma de fortalecer o pertencimento, a cidadania e o olhar crítico sobre o lugar onde vivemos?

Ao envolver alunos em práticas reais de diagnóstico e valorização do espaço, não estaríamos formando futuros líderes mais preparados para cuidar do SEU município?

Pensando em respostas, acredito que integrar adolescentes das escolas municipais ao processo de observação e análise do turismo local não é apenas uma proposta educativa, mas uma estratégia inteligente de desenvolvimento humano e territorial. Quando escola, comunidade e poder público caminham juntos, é possível formar jovens mais conscientes, participativos e comprometidos com a valorização de seu município.

Um projeto bem estruturado e permanente (o máximo de tempo possível) mostrará que, com planejamento, investimento e vontade política, é possível transformar educação em ação concreta, e turismo em ferramenta de cidadania ativa.

É um caminho promissor — e, sobretudo, possível.

Até a próxima matéria !!

Luiz Fernando Soares
Técnico e Gestor de Turismo – Cadastur 24.016176.96-2

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Coluna Caminhos do Mar e das Alturas
O nome desta coluna evoca a conexão do homem com as atividades entre a grandiosidade dos cânions regionais e a serenidade das praias, criando uma identidade única para a coluna. Reforça o simbolismo da jornada e da conexão entre os elementos da região, com conteúdo envolvendo os segmentos que atendem e direcionam o turismo regional.

Como diretor da TecTur Turismo, sou guia de turismo credenciado nos Parques Nacional de Aparados da Serra e Serra Geral, especificamente na 9ª Região Turística Caminho dos Canyons do Sul – Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Sou apaixonado pela fotografia de natureza e das aventuras em que participo, além da consultor e orientador no segmento do turismo rural. Também realizo trabalhos como coordenador e difusor de estratégias e análises no segmento de pesquisa político/administrativo. Gaúcho de Porto Alegre, há mais de 20 anos resido com minha família em Santa Catarina, atualmente no centro de uma região com turismo 12 meses por ano: Sombrio.