FALÊNCIA PRECOCE NA HOSPEDAGEM RURAL

O que leva uma hospedagem no turismo rural fechar as portas em menos de três anos? Planejamento, gestão, divulgação ou estratégias mais atrativa para turistas?

A decisão de um investidor em encerrar as atividades de uma hospedagem rural pode ser explicada por fatores econômicos, estratégicos e comportamentais. Segundo Barretto (2003), o sucesso no turismo rural depende da combinação entre experiência autêntica, gestão eficiente e adaptação às demandas do mercado. Entretanto, empreendedores frequentemente subestimam os desafios operacionais, como sazonalidade, manutenção da infraestrutura e fidelização de clientes. De acordo com Cunha (2018), a falta de diferenciação e estratégias de marketing digital reduz a competitividade, comprometendo a ocupação ao longo do ano. Além disso, o SEBRAE (2020) aponta que a falta de planejamento financeiro e a má gestão de custos fixos são as principais causas de falência precoce nesse setor.

Em muitos casos, investidores entram no mercado sem avaliar adequadamente a viabilidade do local, acreditando que a simples oferta de hospedagem em meio rural será suficiente para atrair turistas. Sem uma estratégia bem estruturada, apoio público/privado e capacidade de adaptação às mudanças do setor, o encerramento das atividades torna-se inevitável.

PRINCIPAIS MOTIVOS

Uma pequena hospedagem no turismo rural pode fechar as portas por diversos fatores. Segue ALGUNS dos mais comuns:

• Falta de Planejamento e Gestão Ineficiente: Viabilidade mal calculada como manutenção, impostos e sazonalidade; precificação errada, como valores abaixo do necessário para cobrir despesas ou acima do que o público-alvo está disposto a pagar; e quando a falta de experiência em hospitalidade não alcança uma experiência diferenciada, causando o não retorno.

• Localização e Acesso inadequados: A dificuldade de acesso como estradas ruins, falta de sinalização ou distância de pontos turísticos podem desmotivar visitantes; e a baixa visibilidade online, como não aparecer no Google, redes sociais ou plataformas de reservas como Booking e Airbnb.

• Dependência de um Público Restrito: Apostar apenas em alta temporada pode trazer dificuldades financeiras no restante do ano; e manter foco apenas no turismo de lazer e não explorar nichos como retiros, casamentos rurais, turismo gastronômico ou ecoturismo.

• Subestimação dos Custos Operacionais: Muitos empreendedores calculam mal os custos fixos (manutenção, salários, impostos) e variáveis (sazonalidade, promoções, reformas). Sem fluxo de caixa adequado, a pousada se torna insustentável rapidamente.

• Falta de Planejamento Estratégico: Abrir uma pousada sem um plano de negócios bem estruturado, sem análise de mercado e sem diferenciação clara pode levar à falência rápida.

• Conflitos Familiares ou Entre Sócios: Negócios familiares podem sofrer com divergências de visão e má gestão financeira, levando a decisões precipitadas que inviabilizam a continuidade da pousada.

COMO EVITAR O FRACASSO?

✅ Fazer um plano de negócios sólido e realista.

✅ Construir uma marca forte e envolvente.

✅ Investir em marketing digital e parcerias estratégicas.

✅ Manter-se atualizado sobre tendências

✅ Criar diferenciais que tornem a experiência única.

✅ Criar conexões com a comunidade e fornecedores locais.

✅ Planejar infraestrutura de acordo com o clima e segurança da região.

✅ Oferecer serviços complementares para garantir faturamento estável.

✅ Gerenciar custos e manter reservas financeiras para sazonalidade.

Aqui estão três indicações de leitura específicas sobre planejamento, marketing e gestão de pousadas rurais:

• Gestão de Pequenos Meios de Hospedagem. Editora Senac, 2018. Sílvia Aparecida Guimarães da Cunha. Aborda a administração eficiente de pousadas e pequenos hotéis, com foco em planejamento financeiro, operação e experiência do cliente.

• Marketing para Turismo. Pearson, 2011. Philip Kotler, John Bowen e James Makens. Livro essencial para entender estratégias de marketing aplicadas ao setor de turismo, incluindo promoção digital, diferenciação e fidelização de hóspedes.

• Turismo Rural e Sustentabilidade. Editora Manole, 2015. Maria Cecília da Silva Biagi. Explora o turismo rural como atividade sustentável, trazendo insights sobre boas práticas, inovação e integração com a comunidade local.

* Continuando sobre *

CAMINHO DA GRATIDÃO – ABRIL/25

Nesta edição, estarei apresentando para vocês, a PRIMEIRA e a SEGUNDA parte da peregrinação Caminho da Gratidão. Estará acontecendo durante o mês de abril de 2025, com um percurso total de 420 km de caminhada entre a cidade de Torres/RS e a cidade de Nova Trento/SC. O tempo de duração total será de 20 dias. Maiores detalhes e informações poderão ser solicitadas pelo whatssap (48) 996398803 com Fernando TecTur.

Parte 03 – Terceiro Dia

– Evento: Peregrinação do Caminho da Gratidão

– Distância: 29 km

– Percurso: Saída de Balneário Gaivota/SC (Lagoa de Fora) até Arroio do Silva/SC

– Atividade (síntese): Saída em frente a Paróquia Santo Antônio de Pádua ou da Lagoa de Fora; café na Praia da Lagoinha e Carimbo; parada para Lanches; chegada no Arroio do Silva; e hospedagem.

Parte 04 – Quarto Dia

– Evento: Peregrinação do Caminho da Gratidão

– Distância: 32 km

– Percurso: Saída de Arroio do Silva/SC até Balneário Rincão/SC

– Atividade (síntese): Saída em frente a Paróquia São Pedro; café reforçado ao despertar; parada para Lanches; chegada em Balneário Rincão; e hospedagem.

Mapa Geral dos 420 km do Caminho da Gratidão
Fonte: https://caminhodagratidao.org

Aguardem, pois mais detalhes do caminho, descritivo e relatos serão apresentados durante as próximas colunas.

Até a próxima…

Desejo de bons caminhos e ótimas trilhas para todos nós.

Luiz Fernando Soares

Técnico e Gestor de Turismo – Cadastur 24.016176.96-2

https://www.instagram.com/fernando.tectur

[email protected] 

www.tec.tur.br

Coluna Caminhos do Mar e das Alturas

O nome desta coluna evoca a conexão do homem com as atividades entre a grandiosidade dos cânions regionais e a serenidade das praias, criando uma identidade única para a coluna. Reforça o simbolismo da jornada e da conexão entre os elementos da região, com conteúdo envolvendo os segmentos que atendem e direcionam o turismo regional.

Como diretor da TecTur Turismo, sou guia de turismo credenciado nos Parques Nacional de Aparados da Serra e Serra Geral, especificamente na 9ª Região Turística Caminho dos Canyons do Sul – Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Sou apaixonado pela fotografia de natureza e das aventuras em que participo, além da consultor e orientador no segmento do turismo rural. Também realizo trabalhos como coordenador e difusor de estratégias e análises no segmento de pesquisa político/administrativo. Gaúcho de Porto Alegre, há mais de 20 anos resido com minha família em Santa Catarina, atualmente no centro de uma região com turismo 12 meses por ano: Sombrio.