Olá, me chamo Talita Ferraz, sou psicóloga clínica, fundadora da Clínica Niama, núcleo de saúde integrada em Sombrio. Sou graduada em psicologia bacharelado pela UNESC desde 2021, com formação em psicoterapia corporal Reichiana e pós-graduação em neuropsicologia. Atualmente estou me especializando em terapia ABA focada em deficiência intelectual e autismo.
A partir de agora você encontrará um pedacinho dos meus pensamentos sobre psicologia todas as quintas aqui no site: 2linhas.com, feito sempre com muito carinho e cuidado para levar um pouco do que sei aí para sua casa, espero que nossas quintas sejam de uma troca gostosa de conhecimento e evolução.
Afinal, o que significa ter saúde mental?
Quando se fala em saúde, seja ela física ou mental, normalmente o que pensamos é: se eu não tiver doenças, logo, serei saudável, não é mesmo?! A resposta é: não. Apenas a ausência de doenças, sejam elas físicas ou psicológicas, não significa que você é uma pessoa saudável.
Mas então, o que é ter saúde?
Bom, segundo a Organização Mundial da Saúde, o conceito de saúde se estende a um completo estado de bem-estar biológico, psicológico e social. Esse conceito é bastante criticado, já que atingir ele parece meio impossível você não acha?! Principalmente quando falamos na esfera social, onde nem todos os diretos aos quais deveríamos ter acesso, são realmente disponibilizados a todos de maneira igualitária.
Mas então, o que fazer para perseguir e me aproximar mais do conceito de saúde nos tempos atuais?
Bom, ser saudável requer quer você cuide de algumas esferas da sua vida e para exemplificar melhor isso, vamos falar sobre a pirâmide de Maslow, que é uma teoria psicológica criada por Abraham Maslow onde as necessidades humanas são organizadas em uma hierarquia, iniciando da base e caminhando em direção ao topo.
Essa teoria sugere pra gente que, para alcançar nosso pleno potencial e se sentir realizado (a) na vida, nós precisaríamos satisfazer nossas necessidades mais básicas primeiro. Assim, a pirâmide dividida nossas necessidades em cinco níveis ou como eu gosto de chamar “fatias”, da seguinte forma:
1. Necessidades Fisiológicas
– Esta é a base da pirâmide. Aqui estão nossas necessidades básicas para a sobrevivência, como alimentação, água, sono, abrigo e respiração. Para saber como está essa fatia da sua própria pirâmide você pode se fazer perguntas como: Como está a qualidade do meu sono? Tenho me alimentado corretamente? Minha saúde física me permite respirar com facilidade? Tenho me exercitado?
2. Necessidades de Segurança
– Aqui, podemos pensar no quanto nos sentimos seguros, fisicamente e financeiramente, o quanto sentimos segurança quanto a nossa própria saúde e quanto nos sentimos protegidos contra perigos e ameaças. Aqui você pode se perguntar: O local onde moro me traz tranquilidade ou medo? Meus trajetos para o trabalho ou escola/faculdade são perigosos e me fazer ficar em alerta o tempo todo ou passo a maior parte do meu tempo sem pensar que posso ser assaltado(a) ou violentado(a) de alguma forma? Tenho segurança financeira para possíveis imprevistos? Como está minha organização financeira?
3. Necessidades Sociais (ou de Pertencimento)
– Já nesta fatia da pirâmide, estamos falando de tudo que está relacionado ao desejo de conexões sociais: amizade, amor, pertencimento a grupos e relacionamentos interpessoais saudáveis. Aqui você pode se perguntar, como estão minhas amizades? Não importando a quantidade, mas sim a qualidade destas relações, se sou solteiro(a), tenho vontade de me relacionar amorosamente? Se sou comprometido(a), como está meu relacionamento?
4. Necessidades de Estima
– Na 4° fatia da pirâmide, falamos de tudo aquilo que envolve a sua autoestima, que é a valoração do seu eu, o quanto você sente que possui reconhecimento, respeito, confiança e está familiazado(a) com o sentimento de conquista. Se você já está ok com as fatias anteriores, você pode se perguntar aqui o quão satisfeito(a) tem estado com seus próprios feitos, se você se sente realizado em conquistar suas metas ou se todas as conquistas lhe parecem ser pouco? Você consegue perceber seus pontos fortes e fracos com equilíbrio, ou seu ponto de vista está sempre focado nos pontos fracos? O quanto você se sente reconhecido(a) dentro da função que desempenha, seja no trabalho, família ou outro ambiente que frequenta e se dedica a ele.
5. Autorrealização
– Já por último, no topo da pirâmide, temos uma faria que representa o alcance do potencial máximo de uma pessoa, como criatividade, realização pessoal e busca por crescimento contínuo. Se você já está trabalhando esse nível da sua pirâmide, isso é um ótimo sinal, de que você teve grandes oportunidades e possivelmente alguns privilégios que te auxiliaram a atingir esse nível, orgulhe-se disso! Perguntas norteadoras nessa fatia são: me sinto realizado(a) com minhas escolhas atuais? O que me motiva a continuar perseguindo tais objetivos? Me sinto motivado(a) por algum propósito que norteia a minha vida? O quanto me sinto contribuindo com a sociedade com tais objetivos?
Por fim, é muito importante saber: esta teoria sugere que, enquanto as necessidades mais básicas não forem atendidas, nós teremos sempre dificuldade em focar nos níveis superiores. No entanto, as necessidades da pirâmide devem ser vistas de uma maneira fluída, sendo flexível às necessidades que podem variar de pessoa para pessoa e não vão seguir essa ordem de maneira rígida. Provavelmente se você parar para observar, perceberá que todos os níveis ocorrem simultaneamente, ou seja, ao mesmo tempo, porém em alguns momentos nossa energia estará mais focada em uma parte, hora em outra, mas, caso você não esteja nutrindo seu corpo e sua mente com algumas coisas básicas como sono, alimentação, sentir-se seguro e valorizado, pode ser que seja bastante dificultoso chegar a última fatia da pirâmide.

E se você se deu conta que está em falta com suas necessidades básicas, aquelas que estão na base da pirâmide, é importante reservar um momento só para você e avaliar quais são suas prioridades hoje e como você poderia colocar na frente dessa fila a satisfação das suas necessidades básicas, para que assim, possa ter tempo e disponibilidade física e mental para perseguir os outros objetivos desta pirâmide, que são tão importantes quanto, mas se pensarmos como numa construção de uma casa, sem um bom alicerce, as paredes ficarão suscetíveis a desmoronamento com muita facilidade, então foque em criar um bom alicerce para seu corpo e mente e depois as outras fatias da pirâmide irão naturalmente adentrando a sua vida aos poucos e chegando para ficar!
Sobretudo, não entre em pânico! Tudo é possível, desde que você comece. Não importa o quão atrasado você costuma acreditar que está em relação aos seus objetivos, todo dia é uma nova oportunidade de escolher a si mesmo como a pessoa mais importante da sua vida.
E se você curtiu esse tema e quer se aprofundar nessa aventura que é o auto conhecimento, você pode começar usando uma ferramenta muito bacana, chamada roda da vida, nela você vai criar de maneira personalizada as áreas da sua vida e atribuir pontuações para cada uma destas áreas, por fim irá ter uma visão mais concreta de quais pontos está precisando focar no momento e isso pode te ajudar a entender no que focar primeiro.
Fica aqui uma sugestão de site onde você pode fazer isso, aí da sua casa: https://www.rodadavida.net
Talita Ferraz
Psicóloga clínica – CRP: 12/21626
@talitaferrazz – (48) 998370630


